domingo, 19 de fevereiro de 2012

O FERRÃO


Na foto Genschow - ENA 53 e Amauri - ENA 57

Estimados ex-alunos da Universidade Rural do Brasil-RJ: até, aproximadamente, os fins de 1955 circulava no campus da Universidade Rural, no Km 47, um jornal editado pelos alunos. Era tido pelos professores daquela época como um jorrnal tipo "Imprensa marron" assim de terceira categoria. Ora, o nome do nosso jornal tinha sido inspirado na ferroada da abelha; incomodativo e,sobretudo, de picada dolorida. Era O FERRÃO! Nosso jornal, sem periodicidade muito rígida, dava notícias do campus, mas lançava, sempre, matéria que desgostava e aborrecia a comunidade acadêmica composta pelos professores. Mensalmente eram exibidas as notas que os alunos davam aos professores para alguns tópicos de ÉTICA PROFISSIONAL, FREQUÊNCIA, ASSIDUIDADE, DIDÁTICA , DOMÍNIO DA MATÉRIA entre outros. Eram listagens com os nomes de cada professor e suas notas. Isso, a divulgação das notas, despertava ódio dirigido aos editores do Jornal O FERRÃO. Alguns professores até se vangloriavam que na respectiva disciplina era raro alguém ser aprovado por média. Ocorriam, por exemplo, nessas disciplinas "intransponíveis" que mais de metade da turma ser reprovada e ficar em dependência!. Pois bem, então em certo mês de 1955, saiu no O FERRÃO, um artigo com as considerações matemáticas pertinentes ao fenômeno de elevado índice de reprovação e concluindo (o artigo) que, de acordo com curva estatística de Distribuição Normal o problema estava no professor e não nos alunos. Se mais de 50% dos alunos fossem reprovados seria necessário urgente uma preparação e treinamento do "mestre" para o mister de transmitir conhecimento especializado! Foi um Deus nos acuda aquela matéria de O FERRÃO. À época, o referido jornal, mal visto pela direção da ENA, liderou as greves, promoveu "enterro" de professores e outras manifestações que agitavam a nossa vida na calorenta BAIXADA FLUMINENSE. Não desejamos que a história da nossa UR se perca com o tempo. Estamos registrando a memória dos tempos da mocidade da época!

NOTA: por favor, quem ainda estiver de posse de exemplares do jornal O FERRÃO, envie-os pelo Correio para Amauri Rodrigues, Caixa Postal 116 Brasília-DF 70350-970, ou digite-os enviando para steisloff@gmail.com ou para Suely Domingues Canero através do E. mail sucanero@terra.com.br
AsSINADO: Amauri Rodrigues - ENA 57

quinta-feira, 23 de junho de 2011


Bolinha
Por Amauri Rodrigues, ENA/57.

As imagens das fotos anexadas oferecem aqueles “ares“ de tristeza, é certo. Justificadas tristezas, entretanto, bem raras. Este que escreve jamais se associou aos grupos tipo baixo astral. Pelo contrário, sempre se manteve junto aos colegas do bem viver, aproveitando, ao máximo, os momentos fugazes da juventude que esvaia no correr dos tempos. Assim, sempre com espírito de otimismo e esperança de dias melhores, a cruel rotina das aulas teóricas e as infindáveis noites nos fétidos laboratórios, cuidávamos de intercalar momentos de lazer nas farras adequadas, Eram as estrondosas e memoráveis comemorações sob qualquer pretexto. Muitas vezes sem qualquer razão aparente ou justificável lá íamos para o bar da estrada tomar cerveja e conversar, simplesmente. Algumas vezes nos socorríamos do Bar do Pinta Cega onde tínhamos crédito para as cervejas ou, para levar para o alojamento, pelo menos, uma preciosa garrafa de cachaça das variadas marcas e procedências. Mas o forte mesmo; era o bar da estrada, aquele explorado pela Cooperativa dos Funcionários da Universidade Rural Ltda, às margens da antiga estrada Rio–São Paulo. O saudoso bar da estrada!
Os grupos de alunos frequentadores do bar da estrada tinham as características mais diversas. Todos alegres claro, uns brigalhões, uns barulhentos de chamar atenção, outros enrustidos nas preferências por notas cada vez mais distanciadas dos estudantes malandros, essas coisas de estudante metido a besta. Mas aqueles cus-de-ferro eram poucos, graças a Deus. Mas o meu grupo era diferente por uma única razão: tínhamos um cão que sempre nos acompanhava. Coisa misteriosa o procedimento do cachorro a nos acompanhar assim que saíamos do alojamento indo pelo atalho de arenado em direção ao bar da estrada. Nas incontáveis noites, nos meses e anos de boas farras no bar da estrada lá ia, também, o nosso fiel companheiro aquele cãozinho querido, de idade que nunca se soube. Muito gordo, assim de uma obesidade mórbida, com suas curtas pernas desproporcionais nos seguia, quase se arrastando, para poder acompanhar, por quê? Os apressados e sedentos seres humanos ávidos para quê? Por qual razão o gorducho cão nos seguia sem nem ser convidado? Ele deveria ter suas razões. Quais seriam as motivações? Seriam as lasquinhas de carne que, vez por outra, eram jogadas para o baixo e obeso cãozinho? Pode ser. Ou ele estava no encontro do seu Destino? Os entendidos até afirmavam que o BOLINHA, esse o nome do cachorro, era um legítimo vira-lata; sem raça aparente. Mas o quê! Justiça seja feita, o BOLINHA era, sobremaneira, um autêntico cão raçudo. Aguentar com aquele típico estoicismo canino a nossa turma de bebuns da tórrida Baixada Fluminense, não era para qualquer cão! Acho que era para amenizar os calorentos dias no Km 47 que o BOLINHA se dispunha a nos acompanhar, às vezes, até o aconchegante anfiteatro do Prédio 1, local mais fresco, para nos esperar escanchado à nossa frente enquanto ouvíamos, com enfado, as aulas, sejam de Mecânica Racional ou Cálculo Integral. Coitado do BOLINHA! Durante as maçantes proposições teóricas, nos humanos, valíamos de imediatas compensações etílicas imaginado o bar da estrada. E ele, BOLINHA, teria capacidade de imaginar? Mas desejar o quê? Nosso carinho ou as míseras lasquinhas de carne no bar da estrada? Sabe-se lá!
Entristeço-me (veja a foto) quando recordo daquele fim do BOLINHA. O prestimoso BOLINHA dos nossos instantes mágicos do bar da estrada. Aquele vai-e-vem de tantos anos. Ah! Agora me recordo: algum colega mais bebum que outro e de bom coração, se dispunha, por exuberante manifestação de caridade solidária, a soerguer do solo arenoso, o pesado corpo do BOLINHA para levar aquele amigão de quatro patas calejadas na volta até o alojamento. Acho que o BOLINHA deveria achar aquilo esquisito, mas ia de bom grado nos braços do colega, apenas olhando para nós que voltávamos costumeiramente cantando com alegria perturbadora na noite que se fazia adiantada. Cão discreto era o BOLINHA! Mesmo diante daquela esquisitice de ser levado nos braços pela noite, se mantinha “calado”, assim sem ao menos uma rosnadura que fosse de protesto ou gratidão. Nunca se ouviu a “voz” do BOLINHA!
Nós não sabíamos nada do futuro! Para os seres humanos o Destino é uma incógnita. É certo que vivíamos de esperança; nos sustentávamos na crença do objetivo escolhido Ora! Éramos racionais. E o BOLINHA coitado; um irracional em que estaria ancorado? Teria crenças? Tenho certeza que alguma espécie de emoção, sim. Caso contrário, por que preferia e acompanhar unicamente – e sempre –, o grupo mais feliz daqueles anos 50?
Certo colega em momentos de caminhadas pelas areias até o bar da estrada, em uma tirada filosófica antes de entrar na cerveja, questionou olhando para o BOLINHA: “Esse é que é feliz! Não pensa no futuro. E nós, onde estaremos daqui a um ano!”. Tinha mesmo razão o filósofo da turma. Os seres irracionais não têm essas neuras; as paúras do que lhes vem pela frente ou que lhes possa aprontar o Destino.
Certa manhã, de agosto de 1957, quando já saímos para o café da manhã, não constatamos o BOLINHA a nos esperar na porta do alojamento. Era um costume típico daquele amigo, ficar ali na porta a nos abanar a cauda para começar o dia. Cadê o nosso amigo? Foi naquele momento que um servente nos informou que tinha um cão atropelado e morto na estrada lá por perto do bar onde tínhamos “tomado todas” até tarde. Só naquele instante nos demos conta que tínhamos esquecido no restaurante o grande amigo das noites. Foi mesmo uma ingratidão nossa. Fomos verificar se era verdade. Sim, o BOLINHA estava abandonado à margem da estrada Rio-São Paulo, imóvel com os olhos já sem aquele brilho sincero e amigo que nos fascinava. As moscas no calor da manhã já zuniam ao redor da boca do animal em busca das gotas de sangue! Nos sentimos miseráveis pelo esquecimento do BOLINHA ao seu Destino na noite escura. Abandonamos o nosso amigo como se ele fosse um cão sem dono! O Destino foi terrível para com ele ou estava sendo mais para nós?
Levamos o corpo do BOLINHA sem vida até o P1. Local que ele tanto frequentou aos nossos pés no anfiteatro dos dias calorentos das aulas. Ali ele seria sepultado. Ouve protesto da Administração da UR. Então resolvemos encenar um “velório de corpo presente” lá mesmo nos arredores dos alojamentos. Também ouve protestos pela homenagem cristã despropositada, mas resistimos. O BOLINHA foi visitado por centenas de amigos. O caixão foi improvisado em uma caixa de madeira vazia das latas de leite condensado. Os bons observadores até viram na cara séria do BOLINHA morto um “quê” de dignidade canina que sempre lhe foi especial.
Depois sepultamos o BOLINHA ali por perto do alojamento nº 1, bem junto às janelas do Arário na ilusão que sua “alma” pudesse ouvir os batuques e cantorias madrugais mesmo sem aquele entusiasmo e alegria da companhia do maior amigo do homem.
Tinha chegado o dezembro de 1957 e urgia pensar no futuro. Íamos terminar o curso e partir para o nosso Destino. Íamos sair da Universidade, mas nunca esqueceríamos o nosso amigo de tantas alegrias. Só o grande Senhor do Universo saberá por onde anda o BOLINHA de Sua criação; feito tão bom e amigo dos seres humanos, às vezes, tão ingratos.
NOTA: anexa a única foto do BOLINHA tomada em junho de 1957 por Luiz Carlos Sayão Ferreira Lima/ENA-57.

sábado, 4 de junho de 2011



"Anos 60 na Universidade Rural"

De: Suely Domingues Canero

Documentário onde a autora narra sobre os bastidores das meninas que cursavam a Escola de Magistério, revelando detalhes, sem esquecer de dar pinceladas sobre o que acontecia na moda, na música e nos costumes da época. Assim também revela os bastidores dos rapazes, alunos de Agronomia e Veterinária, graças às contribuições importantes de Mendel, Geraldo e colaboradores que postaram neste blog. Foto da capa: Mendel Rabinovitch Capa: Giancarlo Franco

Para adquirir o livro escreva para sucanero@terra.com.br

domingo, 20 de março de 2011

Em busca da Ata Perdida - Arário

Amauri (ENA 1957) escreve: COLEGAS RURALINOS: assim bem insone, mesmo com outras preocupações da vida, voltei meus pensamentos para algo que mais me atormenta por esses tempos:
onde e com que estará a ATA PERDIDA?
A tal Ata é o precioso e histórico documento das nossas noitadas de muita alegria, batuques, algazarra geral e irrestrita no Km 47, no (ARÁRIO) Ap. 207 da UR nos anos 50-60. Tudo muito bem lubrificado, se assim podemos dizer, com doses e mais doses de cachaça (da boa ou da ruim e mais barata!).

Nesses instantes de insônia me recordei do nosso querido notário; o ser extraordinário encarregado de sempre lavrar a Ata em termos circunstanciados. O notário só poderia ser o VICENTE DE PAULA SOARES RIBEIRO, mais conhecido na UR por CARA DE GATO. Mas o Cara de Gato já não está entre nós, faleceu em Goiânia há alguns anos. Minhas potencialidades mediúnicas não chegam para as intenções de consultar ao querido Cara de Gato.
Fico imaginado onde estará e com quem a ATA PERDIDA?
Mas nem com toda bondade que caracterizava o saudoso colega Cara de Gato, ele poderá atender este médium de araque. Resta recordar que o notário, no seu linguajar muito bem posto; conhecedor dos bons do idioma pátrio deve ter registrado na ATA algo saboroso.
De verborragia hiperbólica, o Cara de Gato deve ter anotado para a história e tempo, expressões costumeiras a esconder apodos mais rigororos que cachaceiros para os vibrantes arruaceiros do ARÁRIO. Ele preferia dizer que éramos certamente dipsomaníacos. Como ele gostava de expressar assim: "...Dipsomaníacos, canalhocratas...!" (sic).
Por essas e outras razões estou sempre EM BUSCA DA ATA PERDIDA.
É documento precioso, nossas passagens pela mocidade em tempos de irresponsabilidade felizes que não voltam mais.
Vamos procurar a ATA PERDIDA?
Acordei com vontade imensa de telefonar para Goiânia e pedir à viúva do Cara de Gato que busque nas prateleiras da biblioteca do de cujus a ATA PERDIDA do Arário. Soube pelo colega Everton de Almeida/ENA-57, residente, também, em Goiânia, que a viúva do Vicente, D. Carminha, está de viagem para a fazenda. Assim, segunda-feira, dia 21 de março de 2011, implorarei à viúva do Cara de Gato e tentarei mais uma cartada EM BUSCA DA ATA PERDIDA. Abraços para todos do Amaurí Rodrigues-ENA/57.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Álbuns virtuais de fotos



Amigos,
Conheçam os álbuns virtuais de Suely Domingues e de Mendel Rabinovitch



DE NOSSOS ANOS DOURADOS NA U.R.
http://picasaweb.google.com/suelydomingues/UniversidadeRural#

http://picasaweb.google.com/mendel.rabinovitch

DE REENCONTROS
http://picasaweb.google.com/suelydomingues/universidaderuralreencontros02

DO ENCONTRÃO ANOS 60 - 2009 - e 50ª ADENA
http://picasaweb.google.com/suelydomingues/EncontraoAnos60#

DO ENCONTRO 2010 - 51ª ADENA - CEM ANOS DA RURAL
http://picasaweb.google.com/suelydomingues/100ANOS51ADENAENCONTRO2010#

Este blog U.R. dos Anos 60 - Se você clicar em 2009, à esquerda da página inicial do blog conseguirá ver todos os tópicos já abertos bastando descer o cursor.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Livro - Título provisório - Anos 60 na U.R.

Amigos, juntei minhas memórias às postagens do blog e a iniciativas de colaboração de amigos e montei um livro que já está na Editora Livre Expressão.
Breve teremos os bastidores das patiobas (do alojamento) revelados e também riquezas de colaborações de verdureitos e capagatos.
Ao contar as histórias transportei-me no tempo e deixei que aquela adolescente fosse a escritora.
Assim que estiver pronto vocês serão os primeiros a saber.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Encontrão 2010 - 51ª Reunião da ADENA 11/DEZ


Como sempre acontece no segundo sábado de dezembro de cada ano a ADENA promove reunião de Engenheiros Agrônomos, na Universidade Rural- RJ.
Este ano a 51ª reunião será no dia 11 (onze) de dezembro.

E como a ADENA acolhe todos os cursos, teremos o ENCONTRÃO 2010.

Programa

7h40m - Saída de ônibus cedidos pelo CREA-RJ e pela UFRRJ
Locais: Saens Peña com Gal. Roca; Praça do Lido (lado da praia) e Lgo. do Machado em frente à Igreja N.S. da Gloria.

9h30m - Lanche, saguão do Anfiteatro Gustavo d’Utra. Visita às placas no Pavilhão Central da Ufrrj.

10:00h – Culto Ecumênico em Ação de Graças e pelo sufrágio dos colegas falecidos. Anfiteatro Gustavo d’Utra - Ufrrj

10h45m: Assembléia Anual da Adena, sendo homenageadas as turmas que comemoram qüinqüênio e, em especial, as dos Jubileus de Prata e de Ouro.
13:00h: Almoço de confraternização na Casa do Reitor,por adesão.
14h:30m- Confraternização Geral e Fotos (sala de estudos e arredores dos alojamentos).
16h:30m- Visita às instalações e prédios da Universidade.
18:00h - Retorno dos ônibus ao Rio de Janeiro

Inscrições no link www.tinyurl.com/27s3sz3

Na certeza de que o evento proporcionará excelente oportunidade para reviver momentos importantes de nossas vidas, contamos com sua participação, incluindo seus familiares, bem como com o seu empenho em divulgar esta Reunião.